RESENHA CRÍTICA: Dumbo (Idem)

Digamos que deu errado, eu espectador quero ver o Elefante Voador e não as cenas sombrias do picadeiro mal resolvido

28/03/2019 13:42 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Dumbo (Idem)

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Dumbo (Idem)

EUA, 2019. 1h52min. Direção: Tim Burton. Baseado em novela de Helen Aberson (novela original), Ehren Kruger (roteiro ) e Harold Pearl (também co-autor do livro). Trilha musical de Danny Elfman. Elenco: Colin Farrell, Eva Green ,Danny DeVito, Miichael Keaton, Alan Arkin, Nico Parker, Sharon Rooney.

A primeira coisa que me impressionou nesta nova versão de Dumbo é sua escuridão. Cheguei a tirar os óculos e verificar se era culpa minha ou resultado do estilo sombrio do senhor Tim Burton. Do qual estilo por sinal ele usou e abusou diversas vezes com resultado irregular. Curiosamente a coisa mais bonita do filme atual é justamente a escolha que ele fez de dar uma papel principal para uma atraente e por vezes fascinante atriz francesa que vem a ser Eva Green (conhecida como filha da atriz Marlène Jobert, que foi estrela por lá nos anos 60 como O Passageiro da Chuva, O Astrágalo, Alexandre o Felizardo e chegou a ter 48 créditos). Eva tem tido sua chance em filmes como 007 Cassino Royale, a série Penny Dreadful, Os Sonhadores de Bertolucci, Baseado em Fatos Reais de Polanski, O Lar das Crianças Peculiares, também feito por Tim. Mas nunca esteve tão bonita e charmosa quanto aqui (ele parece ser vilã mas vai mudando e se tornado uma ousada aventureira que gosta do aventureiro Colin
Farrell - pai de crianças e sem um braço).

Também faz falta uma trilha musical mais intensa e mais adequada para crianças. Não se repete a simplicidade do original, a ajuda dos amigos, a ingenuidade de todo o filme enquanto aqui lembra-se mais de outros anteriores filmes de circo, no estilo O Maior Espetáculo da Terra de Cecil B. De Mille ou Doris Day em A Mais Querida do Mundo,62, onde ela trabalhava num grande circo (alias é um grande musical) e com o elefante esse sim chamado de Jumbo! Ou seja, sua ingenuidade hoje morta, ate porque os grandes circos do passado se fecharam, não existem mais as danças, paradas e brincadeiras de antigamente (inclusive foram eliminados há poucos anos atrás!). O fato é que o pequeno “Jumbinho” está sempre com seus delicados olhos azuis e imensas olheiras, que ele usa para voar (claro que depois de muito problema com isso!). Desculpem os possíveis fãs, mas é muito mais encantador e faceiro toda a saga do antigo Dumbo, sua mãe era mais evidente, e não será necessário inventar deus sabe da onde surgindo do “sem mais nem menos” um promotor maldito (um momento infeliz para o Michael Keaton, que está com uma peruca branca e não acerta nenhum momento quando tenta ser o vilão mau, que acaba fazendo um monte de besteira sem lógica ou sentido!). A única coisa que ajuda ele é o fato de que escalaram para aparecer no filme a essa altura dois grandes e humanos veteranos, o Danny De Vito, e o querido Alan Arkin.

Ainda assim as danças, as pseudo coreografias, os poucos truques, tudo é secundário perante a única coisa que seria importante sendo a figura de Dumbo e resolver logo seus probleminhas (num set gigantesco demais!). Chega a ser ruim? Digamos que errado, eu espectador quero ver o Elefante voador e não as cenas sombrias do picadeiro mal resolvido. E por favor da próxima vez acendam as luzes, que brilhem as estrelas e explodam um pouco mais de luz!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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