Han Solo: Uma História Star Wars: Uma Introdução por Rubens Ewald Filho

Confira a primeira impressão sobre o novo filme da saga

22/05/2018 17:27 Por Rubens Ewald Filho
Han Solo: Uma História Star Wars: Uma Introdução por Rubens Ewald Filho

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Não acreditem que no sistema de Hollywood exista liberdade de expressão. Se você detonar um filme ainda mais se for um blockbuster é muito provável que na próxima cabine não será convidado para frequentá-la. A não ser que você mude seu comportamento. E como os jornalistas que trabalham na indústria do cinema não podem viver sem a chance de ver e assistir logo os filmes importantes, eles fazem o diabo para serem amigos das (dos) assessoras(es). E não acreditem que eles estejam sempre escrevendo o que pensam. Muito pelo contrário, fazem de tudo para serem amigos delas (ou deles) para conseguir mais tempo de entrevista e outras vantagens. Ou serão desprezados, botados para fora ou até coisa pior (são capazes de matar por um bom furo ou uma manchete ainda que escandaloso, que na verdade pode mesmo sair da boca da própria pessoa vingativa. Antes de reclamarem de como são as coisas no Brasil, tenham a certeza de que ainda bem aqui é bem mais leve, a amizade funciona com mais frequência! Sem a ferocidade de fora).

Nada disso é novo embora raramente seja dito em público ou por escrito. É como na política, só que menos ruim. Afinal o filme mal sucedido não pode ser perseguido ou denunciado imediatamente. Mas passadas alguns semanas todo mundo estará comentando aquilo que tiveram o cuidado de esconder, de que mais da metade dos filmes produzido pela indústria são muito fracos. Lamentáveis. Mesmo quando custam milhões de dólares. Essa desilusão é mais velha, ou melhor, tão velha quanto Hollywood e o cinema. Então, quando ler uma critica estrangeira não vá acreditando nos elogios ou adjetivos descarados. O crítico por mais famoso que seja, não digo nem respeitado, pode levar um chute no traseiro muito facilmente. Afinal, a profissão está decadente e há milhares de imitadores dispostos a fazer ainda pior...

Isso tudo é uma das razões porque nunca quis mergulhar nesta tola fantasia que remeto a fabula do “Rei esta nu”, sobre o rei metido a besta, que sai desfilando pelado pela cidade e todo mundo finge que o está admirando, coitado nu e os outros riem e debocham muito, mas somente pelas costas. Por achar que a vaidade é a pior das vergonhas do ser humano, eu queria falar deste Han Solo, que é um exemplo assustador de como se faz filmes em Hollywood, jogando dinheiro fora por que não sabem escalar elenco, nem contratar cineastas.

Os responsáveis por este projeto resolveu chamar dois diretores quase desconhecidos chamados Phil Lord (de Miami, 1975, que dirigiu Anjos da Lei I e II e Uma Aventura Lego, além do divertido animação Tá Chovendo Hamburger!) e Christopher Miller (também de 75, vindo de Everett, Washington) fez praticamente as mesmas coisas como parceiro (produziram muita coisa e ainda insistem que vão fazer um filme chamado Artemis). De qualquer forma, a dupla foi dispensada do projeto que estavam envolvidos (The Flash Film) para trabalhar neste filme sobre a juventude de Han Solo, mas infelizmente tiveram uma briga com o roteirista (famoso diretor Lawrence Kasdan) e a toda poderosa produtora Kathleen Kennedy nas chamadas “inconciliáveis diferenças criativas”. As brigas duraram durante toda a filmagem, ao que dizem por que os realizadores estavam incentivando as cenas humorísticas (alias não sobrou praticamente nada disso, o filme peca justamente por isso!) e a mesma coisa com a improvisação. Assim, em junho de 2017, eles foram despedidos apenas três semanas antes de concluídas as filmagens! (mesmo assim aparecem creditados). Resolveram então chamar um diretor veterano, ator e vencedor do Oscar Ron Howard, premiado como diretor e filme por Uma Mente Brilhante, 01), tendo sido também indicado ao premio por Frost/Nixon (2009) e tendo esquecido o mais popular de sua carreira que foi Apollo 13 (96). O fato é que é uma pessoa de confiança, que não briga com ninguém e desde então refez oitenta por cento do filme (não exagero, está no IMDB).

Destruiu o filme? Não chegou a isso. Era mesmo possível que a dupla original estava fazendo besteira e o sucesso lhes subiu a cabeça como sucede com tanta gente. O problema é que é muito difícil assumir um projeto milionário quase encerrado e ter que reinventar a obra, a que se deve melhorar. Para mim, já estava estragado e não teve solução. Han Solo foi vivido por Harrison Ford desde quando sua carreira de ator não dava certo e trabalhava como carpinteiro. Quem o salvou foi George Lucas, ou seja, o autor da franquia Star Wars, que lhe deu um papel importante em Loucuras de Verão (American Graffiti, 73), que lhe abriu as portas de uma notável carreira, que prosseguiu logo depois com Lucas em A Conversação (arrumado pelo amigo Coppola) e logicamente Guerra na Estrelas (Star Wars, 77) onde teve a sorte ou habilidade de fazer o piloto rebelde Han Solo que o tornará um galã de enorme sucesso até hoje (nasceu em 1942).

Assim nós consumimos Ford de todas as maneiras, ainda que indicado ao Oscar por uma única vez por A Testemunha (86), basta citar mais um nome e pronto, ele é até hoje e parece que vai voltar como Indiana Jones! Todos conhecemos Ford como um homem de poucas palavras, fechadão, discreto, convincente pela própria natureza. Sempre com a cara fechada, e o indiscutível carisma. Ou seja, tudo aquilo que não tem aquele que inventaram para fazer o mesmo Han Solo, apenas um garotão! Acho praticamente impossível encontrar alguém menos parecido e menos carismático que Ford, do que o escolhido para viver seu personagem. Aliás o garoto tem também sua história. Ele tem um nome impronunciável Alden Ehrenreich (1989) e teve a sorte de ser visto por Steven Spielberg numa festa que era justamente um Bat Mitzvah de amigo da filha. Apreciou tanto que o indicou para fazer cinema com seus amigos (esteve em dois filmes dirigidos por Coppola, que foram horríveis fracassos) e ele ficou assim baixinho e sorridente (ele passa o filme inteiro rindo e abrindo grandes sorrisos mesmo nas situações mais drásticas). Os Irmãos Coen o usaram na depressiva comédia, Ave César (estava menos mal, brincando com uma corda de cavalo). E mal foi visto no filme de Warren Beatty, no desastroso Regras Não Se Aplicam (16). Mesmo com o horror da comédia já ria muito!

A gente que conhece Ford heróico e romântico há pelo menos desde 1977 viajando pelas galácticas sabe que ele não pode ser substituído assim e o espectador achar que tudo está muito bem. Ele foi cultuado por tantos anos que acaba fazendo parte da família. Por isso principalmente que tive tanta dificuldade para gostar desta nova aventura. Francamente eu preferi o “Rogue”.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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